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Norte-americanos que ajudaram ex-presidente da Nissan a fugir do Japão foram extraditados dos EUA

Norte-americanos que ajudaram ex-presidente da Nissan a fugir do Japão foram extraditados dos EUA
Pai e filho norte-americanos, que estão a ser procurados no Japão por ajudarem o ex-presidente da Nissan Motor, Carlos Ghosn, a fugir do país, foram entregues à custódia das autoridades japonesas esta segunda-feira, pondo fim a uma batalha de meses para permanecer nos EUA, segundo noticia a agência Associated Press (AP). Michael Taylor e seu…

Pai e filho norte-americanos, que estão a ser procurados no Japão por ajudarem o ex-presidente da Nissan Motor, Carlos Ghosn, a fugir do país, foram entregues à custódia das autoridades japonesas esta segunda-feira, pondo fim a uma batalha de meses para permanecer nos EUA, segundo noticia a agência Associated Press (AP).

Michael Taylor e seu filho, Peter Taylor, não conseguiram convencer as autoridades e os tribunais dos Estados Unidos a impedirem a sua extradição para o Japão, onde serão julgados sob a acusação de terem ajudado Ghosn a fugir do país em 2019, na altura em que o ex-titã da indústria automóvel aguardava julgamento por acusações de má conduta financeira.

Os norte-americanos, naturais do estado de Massachusetts, estão numa prisão suburbana em Boston desde sua detenção em maio. Os seus advogados argumentam que as acusações não se enquadram na lei sob a qual o Japão os pretende julgar, e que eles seriam tratados injustamente no país e submetidos a “tortura física e mental”.

Michael Taylor, que é veterano das Forças Especiais do Exército dos EUA e especialista em segurança privada, nunca negou as acusações e até deu uma entrevista à revista “Vanity Fair” em que descreveu a missão com detalhe. E insistiu que o seu filho não estava envolvido e nem sequer estava no Japão quando da fuga de Ghosn.

Uma fuga rocambolesca: Carlos Ghosn passou no aeroporto dentro de uma caixa

Carlos Ghosn, que se tornou um dos executivos mais poderosos da indústria automóvel ao liderar a fabricante japonesa, foi solto sob fiança após a sua prisão em novembro de 2018, por desviar dinheiro da Nissan para seu benefício pessoal, entre outras acusações.

O ex-líder da Nissan negou estas acusações e alegou ter fugido para evitar a “perseguição política”, no que foi descrito pela acusação como um dos “atos de fuga mais descarados e bem orquestrados da história recente”. Segundo as autoridades nipónicas, os norte-americanos receberam pelo menos 1,3 milhões de dólares pela ajuda no plano de fuga de Carlos Ghosn.

No dia da fuga, Michael Taylor voou para Osaka num jato fretado com outro homem, George-Antoine Zayek, carregando duas grandes caixas pretas e fingindo serem músicos com equipamento de áudio. Entretanto, Ghosn, que estava em liberdade sob fiança, dirigiu-se ao hotel Grand Hyatt em Tóquio onde se encontrou com Peter Taylor, que já estava no Japão, segundo avançaram as autoridades.

Michael Taylor foi com Zayek encontrar-se com o filho e com Carlos Ghosn no hotel Grand Hyatt e logo depois separaram-se. Peter Taylor apanhou um voo para a China, enquanto os outros embarcaram num ‘comboio-bala’ e foram para outro hotel perto do aeroporto, onde Taylor e Zayek tinham reservado um quarto.

Já no aeroporto, Carlos Ghosn estava dentro de uma das grandes caixas pretas, que passaram por um posto de controle de segurança sem serem verificadas e foram carregadas para um jato particular com destino à Turquia, de acordo com o relato das autoridades.

Foram contratados advogados ligados a Trump para impedir a extradição

Os Taylors contrataram advogados ligados ao ex-presidente Donald Trump, incluindo o ex-advogado da Casa Branca, Ty Cobb, na tentativa de o ex-Presidente norte-americano poder evitar a sua extradição para o Japão antes de deixar o cargo.

Em entrevista à Associated Press, Michael Taylor implorou ao presidente Joe Biden para intervir e disse que se sentiu traído porque os EUA tentariam entregá-lo ao Japão após todo o serviço que prestou ao país. Mas o Governo de Biden recusou-se a intervir para impedir a extradição dos norte-americanos.

Sob a administração de Trump, o Departamento de Estado dos EUA concordou em outubro em entregar os Taylor ao Japão. Mas um juiz federal de Boston suspendeu a extradição, logo depois de os seus advogados entrarem com uma petição de emergência.

O juiz rejeitou a petição em janeiro e o Tribunal de Apelações do Primeiro Circuito, com sede em Boston, negou posteriormente a oferta de suspender a extradição enquanto apelavam da decisão.

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