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Canadá, Reino Unido e agentes dos EUA dizem que Irã derrubou avião por acidente

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O voo PS752, que caiu pouco após decolar de Teerã, na quarta-feira, matando 176 pessoas, foi abatido pelo sistema de defesa aérea do Irã de modo acidental, avaliaram funcionários dos setores de inteligência dos Estados Unidos, que falaram com a revista Newsweek sob condição de anonimato. Os primeiros-ministros do Canadá e do Reino Unido, Justin Trudeau e Boris Johnson, afirmaram o mesmo.

Segundo três funcionários – um membro do Pentágono, um da Inteligência dos EUA e outro da Inteligência do Iraque – o avião foi abatido de forma acidental por um míssil antiaéreo russo. Outro funcionário disse que satélites dos EUA detectaram o lançamento de dois mísseis pouco antes de o avião cair.

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse, em entrevista coletiva, que a queda do avião pode ter sido causada por acidente, mas não citou provas. “Tenho minhas suspeitas. Não quero falar porque outras pessoas têm suas suspeitas. Alguém pode ter cometido um erro no outro lado, não no nosso sistema. Isso não tem nada a ver conosco”, disse.

O Boeing 737-800 da Ukraine International Airlines caiu cinco minutos após decolar do aeroporto internacional Imam Khomeini, em Teerã. A aeronave, que decolou às 6h12min locais (23h42min de terça-feira em Brasília) e seguia para Kiev, pegou fogo. Todas as 176 pessoas a bordo morreram, e ainda não se conhecem as causas do acidente – que chegou a ser relacionado à crise entre Irã e EUA.

Cinco horas antes da queda da aeronave, o Irã havia disparado mísseis contra bases norte-americanas no Iraque, em resposta a um ataque dos EUA que matou o general Qasem Soleimani, principal autoridade militar iraniana.

Entre as vítimas, havia 82 iranianos, 63 canadenses e 11 ucranianos. Segundo o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, os passageiros fariam uma conexão para um voo com destino ao Canadá.

Mais cedo, nesta quinta-feira, o governo da Ucrânia disse que investiga a possibilidade de que o avião tenha sido atingido por um míssil antiaéreo. Para investigar isso, haverá buscas por possíveis fragmentos desse tipo de artefato no local dos destroços. Também são analisadas as possibilidades de que tenha ocorrido uma colisão com um drone ou outro objeto voador, uma explosão interna feita por um ato terrorista ou uma falha técnica que levou à explosão no motor. Uma comissão de 45 ucranianos foi enviada a Teerã para tratar do caso. Essa equipe conta com especialistas que participaram das investigações sobre o ataque com um míssil russo que derrubou o voo MH17, da Malaysia Airlines, em 2014, na Ucrânia.

A autoridade de aviação civil iraniana divulgou um comunicado, nesta quinta-feira, dizendo que, segundo testemunhas, o avião pegou fogo antes de cair, e o incêndio se alastrou rapidamente enquanto ele perdia altitude. De acordo com o relatório, a aeronave teve um problema técnico logo após a decolagem e tentou retornar ao aeroporto antes da queda.

No entanto, a falha em questão não foi revelada. Nenhuma comunicação por rádio foi realizada pelo piloto, e a aeronave desapareceu dos radares quando estava a cerca de 2,5 mil metros de altitude.

As duas caixas-pretas foram encontradas. No entanto, a agência de aviação do Irã disse que não irá entregá-las aos EUA nem à Boeing. É comum que o fabricante do avião participe das investigações, de modo a buscar formas de prevenir desastres futuros.

Em 1988, Marinha norte-americana derrubou avião iraniano no Estreito de Hormuz

No dia 3 de julho de 1988, um avião de passageiros da companhia Iran Air voava de Teerã para Dubai quando, ao sobrevoar o Estreito de Hormuz, foi derrubado por um míssil disparado de um navio da Marinha norte-americana. Segundo a versão dos EUA, o capitão da embarcação Vincennes teria confundido a aeronave, que estava em espaço aéreo iraniano, com um caça militar. O engano matou as 290 pessoas a bordo – das quais 254 eram cidadãs iranianas.

Naquele período, o Golfo Pérsico passava pela “Guerra dos Navios-Tanque”, em que navios norte-americanos escoltavam petroleiros que circulavam pelo Estreito de Hormuz após minas iranianas terem atingido embarcações na região. Os EUA estimam em 160 os navios atacados pelo regime. Por Hormuz passa cerca de 25% do petróleo do mundo. As tensões geraram um conflito naval entre Washington e Teerã – além da derrubada do avião de passageiros, que entrou para a lista das dez piores tragédias da aviação.

Na mídia iraniana, Trump foi derrotado em ataque a bases

Enquanto o presidente Donald Trump comemorava vitória em seu embate com o Irã, celebrando a morte “de um terrorista implacável” e o fato de nenhum soldado norte-americano ter morrido nos ataques iranianos, a visão no Irã era bem diferente. Ou, pelo menos, a visão que a mídia iraniana, controlada pelo governo, tentava emplacar.

Alguém que só acompanhasse pela imprensa iraniana o desenrolar dos acontecimentos após a morte de Soleimani, a mando de Trump, poderia sair com a nítida impressão de que os EUA saíram com o rabo entre as pernas após Teerã retaliar com ataques às bases no Iraque.

Em meio à guerra de versões, a agência de notícias iraniana Mehr chegou a anunciar que “mais de 80 soldados terroristas” tinham sido mortos e “cerca de 200” haviam ficado feridos nos ataques com mísseis no Iraque, citando “relatos precisos de fontes locais” passados à TV estatal Irib.

Segundo Trump, não houve nenhuma morte e ocorreu apenas “dano mínimo a nossas bases militares”. No discurso televisionado da Casa Branca, ele fez questão de dizer que os iranianos é que haviam recuado, e que as forças norte-americanas estavam preparadas para tudo.

Fonte

Redação

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