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Caçadores da noite: saiba como submarinos soviéticos fizeram diferença na 2ª Guerra Mundial

Caçadores da noite: saiba como submarinos soviéticos fizeram diferença na 2ª Guerra Mundial
Embora pouco falados, submarinos soviéticos na Segunda Guerra Mundial mudaram o rumo do conflito e causaram um dos maiores naufrágios do século XX.Dois torpedos, um alvo e a morte de muitos nazistas: exatamente há 75 anos, na madrugada de 17 de abril de 1945, o submarino soviético L-3 atacou o navio de transporte alemão Goya.…

Embora pouco falados, submarinos soviéticos na Segunda Guerra Mundial mudaram o rumo do conflito e causaram um dos maiores naufrágios do século XX.

Dois torpedos, um alvo e a morte de muitos nazistas: exatamente há 75 anos, na madrugada de 17 de abril de 1945, o submarino soviético L-3 atacou o navio de transporte alemão Goya.

Dos 7 mil soldados e oficiais alemães a bordo do navio só 185 se salvaram.

Ataque noturno

Na segunda metade de abril de 1945, o submarino diesel-elétrico soviético L-3 da classe Leninets, comandado pelo capitão-de-corveta Vladimir Konovalov, já caçava pelas águas do Báltico havia muitos dias.

O submarino patrulhava a saída da baía de Danzig, através da qual os alemães evacuavam da Prússia Oriental por via marítima suas tropas já derrotadas no âmbito da operação Hannibal.

O navio de transporte Goya, com deslocamento de 5.230 toneladas, já tinha realizado quatro viagens e removido quase 20 mil soldados e oficiais alemães. Sua quinta viagem se tornou a última.

Já no anoitecer do dia 16 de abril, o submarino L-3 avistou um comboio de três navios de transporte e duas embarcações de escolta. Através de seu periscópio, o capitão escolheu como alvo a maior das embarcações.

Para não ficar atrás do rápido comboio, o submarino teve que navegar à superfície.

Contudo, a sorte estava do lado do submarino quando o navio Kronenfels sofreu uma avaria na sala de máquinas às 22h30. Em consequência, todo o comboio teve que parar.

O conserto levou uma hora, o que deu tempo para o L-3 se aproximar à distância de ataque.

Após o submarino disparar seus torpedos por volta da meia-noite, o Goya sofreu duas explosões, uma na sala de máquinas e outra na sua proa.

As explosões foram tão fortes que os mastros do navio caíram sobre o convés, e em poucos minutos o navio afundou após se partir ao meio.


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Sputnik / Yuri Kaplun

Modelo do submarino soviético L-3 no Museu Naval de São Petersburgo

Os navios de escolta foram à busca do submarino, mas o L-3 conseguiu escapar. Dos 7 mil alemães a bordo do Goya, somente 185 se salvaram, enquanto o capitão soviético Konovalov recebeu o título de Herói da União Soviética.

Torpedo ‘Pela Pátria’

A mais famosa vitória dos submarinistas soviéticos durante a Segunda Guerra Mundial foi o bem-sucedido ataque ao transatlântico Wilhelm Gustloff pelo submarino S-13, comandando pelo capitão-de-corveta Aleksandr Marinesko em 30 de janeiro de 1945.

Ao total, 6,5 mil pessoas morreram, entre elas 1,3 mil submarinistas alemães que estavam a bordo do navio. As perdas nunca foram compensadas pela Alemanha até o fim da guerra.

Assim como o Goya, o Gustloff transportava militares alemães e refugiados do porto de Danzig.

Contra as leis da tática, o navio navegava em linha reta não executando manobras antissubmarino e com suas luzes acesas.

Por volta das 19h00 de 30 de janeiro de 1945, as luzes do navio foram avistadas pelo S-13, que navegava à superfície.

Uma hora e meia depois, o submarino se posicionou ao ataque a partir da costa, algo que não seria esperado.

Às 21h04 e a mil metros de distância de seu alvo, o submarino lançou o primeiro torpedo com a inscrição “Pela Pátria”, e depois outros dois com as inscrições “Pelo povo soviético” e “Por Leningrado”.

Os torpedos atingiram o navio, o qual afundou uma hora depois.

Posteriormente, alguns historiadores ocidentais acusaram o capitão soviético Marinesko de crime de guerra, devido ao número de refugiados mortos no navio.

Contudo, o militar não infringiu nenhuma lei durante o ataque, tendo em vista que o navio transportava armas, militares de um Exército inimigo, navegava sob escolta e não tinha indicativos típicos de um navio hospital.

‘Mussolini sem petróleo’

Por vezes, um bem-sucedido ataque com torpedo pode influenciar o rumo da guerra, o que aconteceu no outono de 1941.

Em 29 de setembro daquele ano, o capitão-tenente Aleksandr Devyatko, comandante do submarino Sch-211, encontrou no litoral da Bulgária um comboio inimigo, indo do porto romeno de Constanza para a Itália.

O oficial soviético decidiu atacar a embarcação principal do comboio, o navio-tanque italiano Superga. Contudo, o submarino foi detectado por uma lancha-patrulha, tendo que submergir.

Mesmo assim, Devyatko insistiu com o ataque e, disparando os torpedos de popa, atacou o navio a 370 m do alvo.

Ainda em 1941, na madrugada do dia 5 de novembro foi a vez da tripulação do Sch-214, sob comando do capitão-tenente Vladimir Vlasov, levar a pique o navio-tanque italiano Torccello, com deslocamento de 3,5 mil toneladas, que navegava de Bósforo ao porto de Constanza.

Foi necessário um único torpedo disparado a 740 m do alvo para afundar o navio.

Em apenas um mês, a frota italiana perdeu dois dos cinco navios-tanque que trazia petróleo da Romênia.

Os ataques soviéticos forçaram Roma a descartar o combustível romeno para seus navios até meados de maio de 1942.

A Marinha italiana foi obrigada a permanecer em seus portos, o que entregou o mar Mediterrâneo à Marinha do Reino Unido.

Por sua vez, os britânicos viram-se livres para atacar as embarcações alemães que supriam as tropas de Hitler no norte da África.

Conclusão: dois bem-sucedidos ataques soviéticos mudaram o rumo do conflito na África favorecendo os Aliados contra as forças de Hitler.

Fonte

Redação

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