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A ode marítima e triunfal de Juan: o marinheiro que cruzou sozinho o Atlântico para rever os pais

A ode marítima e triunfal de Juan: o marinheiro que cruzou sozinho o Atlântico para rever os pais
Um argentino que se encontrava na ilha de Porto Santo e ficou impossibilitado de regressar ao seu país quando a Argentina cancelou os voos internacionais decidiu fazer a viagem de outra maneira: no seu próprio barco. Numa travessia oceânica de 12 mil quilómetros, Juan Manuel Ballestero, de 47 anos, foi de Porto Santo até Mar…

Um argentino que se encontrava na ilha de Porto Santo e ficou impossibilitado de regressar ao seu país quando a Argentina cancelou os voos internacionais decidiu fazer a viagem de outra maneira: no seu próprio barco.

Numa travessia oceânica de 12 mil quilómetros, Juan Manuel Ballestero, de 47 anos, foi de Porto Santo até Mar del Plata, sozinho, ao comando de um barco de nove metros. Não obstante alguns percalços – um deles logo em abril, quando Cabo Verde não o deixou reabastecer-se, e outro próximo do fim, quando uma onda brutal o apanhou ao largo da costa brasileira – conseguiu realizar o seu objetivo.

A notícia já tinha surgido na imprensa da Madeira e em jornais argentinos e de outros países latino-americanos, mas teve agora destaque do diário norte-americano “The New York Times”, que falou com o argentino e obteve muitos pormenores sobre a corajosa e solitária viagem.

Não quis ser cobarde

Ballestero é filho de um capitão de mar e ele próprio está nessa atividade há muito tempo. Trabalhou em pesca, em explorações oceanográficas e em barcos de europeus ricos. Brasil, Espanha, Sri Lanka, Havai e Venezuela são alguns dos locais por onde passou.

Residente em Espanha, encontrava-se no Porto Santo quando os voos para a Argentina foram interrompidos. Diz que não sabia se o mundo ia chegar ao fim e pensou que poderia nunca ver mais os pais – a mãe com 82 anos, o pai com 90. Não queria ser cobarde e ficar numa ilha onde não havia casos de covid-19, pois o mais importante para ele era estar com a família.

Proprietário de um barco que comprou em 2017, ao fim de uns dias tinha-se abastecido de fruta, conservas, arroz e combustível, e pôs-se a caminho. Era então 24 de março. Tudo terá corrido bem até ao revés em Cabo Verde, que foi inesperado e o deixou em risco real de ficar sem combustível ou sem comida. Diz que passou a depender mais dos ventos.

Quanto à comida, a certa altura fartou-se de conservas e preparou-se para pescar, mas acabou por decidir que não queria matar. Embora já tenha sido pescador, desta vez sentiu que seria como matar uma pessoa.

Um jardim e três galinhas

As notícias, ia-as acompanhando pela rádio, meia-hora todas as noites. A situação no mundo fazia-o sentir que estava ele próprio numa espécie de quarentena. Além de beber whisky, consolava-o rezar, bem como a presença de alguns animais, incluindo um pássaro cujo nome era o do seu barco – Skua – e dois golfinhos que acompanharam o seu percurso durante uns três mil quilómetros.

Entretanto, como o seu irmão tinha informado a imprensa argentina, as pessoas ficaram interessadas, e Ballestero criou uma conta do Instagram para a parte final da viagem. Chegado ao destino, teve de fazer um teste à covid-19, que deu negativo. Ao fim de 72 horas, pôde finalmente desembarcar e abraçar os pais.

No site latino aldianews, Ballestero diz: “Quero plantar um jardim e comprar três galinhas”. Para já, a sua viagem de 85 dias tornou-o famoso e ele teve aventuras suficientes para bastante tempo. O inverno vai ser passado com a família. Mas o seu desejo último é regressar ao mar.

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